Professores analisam responsabilidade corporativa sobre o bem-estar animal

O artigo estuda aves utilizadas por empresas nacionais (foto divulgaçã0)

 

Um artigo científico assinado por professores da UFPR acaba de ser publicado na conceituada revista “Journal of Business Ethics”, considerada pelo Financial Times o 16ª melhor periódico do mundo em sua área. O artigo Emerging Market Multinationals and International Corporate Social Responsibility Standards: Bringing Animals to the Fore (Multinacionais de mercados emergentes e responsabilidade social corporativa: trazendo os animais à tona), publicado no dia 14 de março, é assinado pelos docentes Germano Glufke Reis, do Departamento de Administração Geral e Aplicada, e Carla Forte Maiolino Molento, coordenadora do Laboratório de Bem-estar Animal (Labea).

Desde 2004, o Laboratório de Bem-estar Animal do Setor de Ciências Agrárias da UFPR tem trabalhado com questões relativas ao bem-estar de animais de produção. Os bilhões de animais mantidos em sistemas industriais intensivos têm uma vida de sofrimento. Para ajuda-los, o LABEA mantém uma linha de pesquisa envolvendo diagnóstico de bem-estar e possibilidades de melhoria. Uma das estratégias de melhoria é a implantação de padrões de bem-estar nestes sistemas produtivos. Entretanto, os avanços provenientes de tal estratégia pareciam muito modestos. Assim, foi muito bem-vinda a iniciativa do professor Germano de propor à professora Carla a redação de um artigo científico para estudar o quanto a incorporação de padrões de bem-estar animal no âmbito da responsabilidade social corporativa de multinacionais brasileiras realmente melhora a vida dos animais.

O artigo estuda o caso concreto das aves utilizadas por empresas nacionais para a produção de carne de frango. Como conclusões principais os autores afirmam que padrões de bem-estar animal podem trazer melhorias na qualidade de vida dos animais; entretanto, tais padrões não apresentam exigências suficientes para ter um impacto positivo significativo. Assim, em resumo, há uma necessidade fundamental de se expandir o debate relativo às questões éticas de uso de animais para produzir carne.

De maneira coerente, os autores expandem suas metas de pesquisa. O professor Germano, que leciona nos programas de mestrado acadêmico e profissional, além de graduação, especialização e extensão, teve recentemente um novo projeto de pesquisa aprovado em seu departamento, intitulado “Cadeia global de valor em transição e a demanda por novas capacidades organizacionais: pesquisa sobre os impactos da inserção da carne sem abate (carne celular) na cadeia da carne”.  Este novo projeto representa uma continuidade ao texto publicado no Journal of Business Ethics, uma vez que a carne sem abate é vista como uma possibilidade concreta de solução para o problema do sofrimento animal na cadeia da carne, além de outros benefícios ambientais e econômicos, entre outros, que a inovação tem o potencial de trazer. O objetivo é identificar as possíveis transformações que serão impostas à cadeia global de valor da carne, em função da introdução da carne livre de abate. Em particular, o professor pretende mapear capacidades organizacionais necessárias para a implantação e operação de atividades ligadas ao cultivo de carne livre de abate e analisar condições e atores do contexto institucional brasileiro que podem favorecer ou inibir a participação do país na cadeia livre de abate. Resultados preliminares desta proposta foram aprovados para apresentação no conceituado congresso EGOS – European Group of Organization Studies, em julho, na Escócia.

A professora Carla mantém há dois anos trabalhos de pesquisa na área de carne sem abate, estudando inicialmente a sua aceitação pelo consumidor brasileiro. Os resultados preliminares, em fase de preparação para publicação, sugerem aceitação bastante alta no Brasil, de 63,6% dos 636 respondentes das cidades de Curitiba e Joinville. Outras pesquisas em andamento incluem a perspectiva de médicos veterinários e zootecnistas sobre o tema, a ótica das ciências sociais e as questões relativas às prováveis transformações na cadeia produtiva.

Assim, a parceria entre o Departamento de Administração Geral e Aplicada, Setor de Ciências Sociais Aplicadas, e o Departamento de Zootecnia, Setor de Ciências Agrárias, concretiza o compromisso de transversalidade do conhecimento, colocando a UFPR  na vanguarda de uma discussão imprescindível, a partir de inovações que afetarão de maneira significativa a produção animal em todo o mundo.

 

Fonte: https://www.ufpr.br/portalufpr/noticias/professores-analisam-responsabilidade-corporativa-sobre-o-bem-estar-animal/

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