PESQUISA DA UFPR ANALISA A PROVÁVEL EXTINÇÃO DE ESPÉCIES NA FLORESTA COM ARAUCÁRIA EM CENÁRIOS DE AQUECIMENTO GLOBAL

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A dissertação de mestrado intitulada “SIMULAÇÃO DA DISTRIBUIÇÃO DE ESPÉCIES DA FLORESTA OMBRÓFILA MISTA EM FUNÇÃO DE POSSÍVEIS CENÁRIOS CLIMÁTICOS”, defendida pela acadêmica Lara Clímaco de Melo, em fevereiro passado, de maneira inédita analisou a provável extinção de espécies na Floresta com Araucária em cenários de aquecimento global.
Explorando a relação direta entre o clima e a floresta observa-se que a existência de diferentes condições climáticas em associação com outros fatores define a forma como a vegetação se distribui no planeta.
Com o objetivo de conhecer o componente climático do Paraná e seus impactos na distribuição da Floresta Ombrófila Mista, o trabalho buscou simular a distribuição espacial e temporal de espécies florestais como indicativo para medidas de manejo e conservação.
A modelagem utilizada relacionou o clima do Estado com dados de ocorrência original de 10 espécies ocorrente nesta floresta, usando como ferramentas o software PGECLIMA_R e a geoestatística.
Dividiu-se esse trabalho em dois eixos principais e dependentes: o primeiro visou mapear as variáveis temperatura máxima, média e mínima no Paraná no período de 1970 a 2010, e a partir desses dados simulou-se cenários futuros de aumento de temperatura (0,3°C; 2,4°C; 4,8°C; 6,0°C) para 2100, tendo como base as projeções propostas pelo IPCC. O segundo eixo enfocou a resposta das espécies estudadas caso os cenários preditos venham a ocorrer; dessa forma, quantificou-se e delimitou-se as áreas de potencial retração dessas espécies florestais.
Os resultados demonstraram um aquecimento no Paraná desde 1970 a 2010, representado por uma elevação sucessiva nas temperaturas. As projeções dos 4 cenários climáticos para 2100 mostrou-se coerente com a literatura e permitiu a indicação dos métodos utilizados para a projeção do fenômeno em estudo.
Quanto ao impacto desses cenários nas espécies avaliadas, todas entrariam em processo de retração geográfica em função de aumentos nas temperaturas do Paraná. Ocotea porosa (imbuia), Sebastiania commersoniana (branquilho) e Piptocarpha angustifolia (vassourção-branco) podem ser extintos caso não haja uma reversibilidade da condição de elevação das temperaturas no Estado. As demais estariam criticamente em perigo de extinção, ou em perigo de extinção, a exceção de Handroanthus albus (ipê-amarelo), que estaria vulnerável, demonstrando relativa resiliência aos aumentos de temperatura avaliados.

O estudo recomendou a formulação de políticas públicas de mitigação e adaptação dos ecossistemas florestais às mudanças climáticas previstas, bem como a ampliação de estudos que abranjam todas as tipologias florestais, subsidiando potenciais ações.

Carlos Roberto Sanquetta é engenheiro florestal, professor e pesquisador em Inventário Florestal, Biometria e Manejo Florestal. Professor e pesquisador em Mudanças Climáticas e Bioenergia. Pesquisador 1-C do CNPq. Vice-Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Florestal. Coordenador do Curso de Pós-Graduação em Projetos Sustentáveis, Mudanças Climáticas e Gestão Corporativa de Carbono.

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