Nanocelulose revolucionará a ciência e a tecnologia

Material extraído de plantas pode ser usado para fabricação de tecidos e eletrônicos

Stylo Urbano

 

Imagine um material completamente natural, abundante e facilmente renovável que poderia ser usado para fazer peças leves para carros e aviões, fortalecer materiais de construção, formar tecidos biocompatíveis, enxertos de vasos sanguíneos e implantes médicos, fazer produtos eletrônicos de alta tecnologia, tecidos super fortes e material de embalagem que mantém os alimentos frescos por mais tempo. As propriedades e qualidades necessárias para cumprir todas estas aplicações são encontrados nos blocos de construção nanométricos da celulose, a molécula estrutural mais onipresente da natureza.

As nanofibras de celulose e nanocristais são extraídos de fontes naturais tão diversos como polpa de madeira (composta por 50% de celulose), folhas de abacaxi, peles de uva e até mesmo algumas bactérias. A nanocelulose é uma matéria prima inesgotável por ser renovável, é segura e sustentável por ser biodegradável e tem o potencial para revolucionar as ciências dos materiais e biomateriais. Por exemplo: ao adicionar uma pequena fração de nanocelulose em fibras de algodão de uma camisa, ela aumenta a sua força dramaticamente. Então ela pode ser usada para fazer coisas incríveis, como supertecidos para aplicações industriais e médicas.

A nanocelulose é o material do futuro 
Por milênios, os seres humanos têm explorado a abundância dos materiais à base de celulose, incluindo madeira, algodão, sisal, cânhamo e outras culturas, para as nossas indústrias de construção, têxteis, papel e alimentos. Os novos produtos da indústria florestal incluem microfibrilas, nanocelulose, madeira compensada maleável, papelão termo-formável e bio-compostos. As microfibrilas são obtidas a partir de celulose ou polpa de madeira. As fibrilas possibilitam um material à base de madeira leve e durável que, assim como o plástico, pode ser moldado.

Ele pode ser utilizado para várias finalidades em papel, painéis, móveis, automóveis, eletrônicos, alimentos, produtos farmacêuticos, cosméticos e produtos de construção. As fibrilhas podem substituir materiais como o plástico, determinados produtos químicos e alumínio. Por exemplo, uma película de embalagem feita de celulose nanofibrilada pode ser utilizada em embalagens de alimentos, em vez de plástico, para manter os produtos frescos.

Desenvolvimento de processos de produção em escala industrial
As pesquisas em nanocelulose mostraram que esta macromolécula disponível globalmente poderia fornecer alternativas baratas e biodegradáveis ​​para materiais petroquímicos, compósitos e metais. Esta promessa tem estimulado os governos, indústrias e universidades a intensificar as pesquisas sobra a nanocelulose para começar a sua produção industrial em larga escala.

Grandes empresas fabricantes de papel da Suécia, Finlândia e Japão por exemplo, estão construindo novas fábricas para produzir nanofibras de celulose em grande escala para materiais e produtos sustentáveis de alto desempenho a partir de seus próprios recursos florestais. Os fabricantes de papel nesses países viram suas vendas diminuírem devido a queda nas vendas de jornais, revistas e demais publicações impressas por causa da internet e do papel eletrônico.

Procurando novos mercados para a celulose que produzem, essas empresas estão deixando de serem somente produtoras de papel para se tornarem produtoras de biomateriais de nanocelulose. Esse é o futuro!

Potencial ilimitado
As aplicações potenciais da nanocelulose são quase ilimitadas. Com a resistência ainda maior do que o kevlar usado em coletes à prova de balas, é oito vezes mais resistente do que o aço. Além disso a celulose em escala nano pode ser eletricamente condutora, altamente absorvente e termoestável. O material pode ser transformado em folhas e outras estruturas, incluindo laminados ou películas transparentes, e incorporados em diversos materiais de alto desempenho para consumo, industriais e aplicações biomédicas.

Chips de computador biodegradáveis feitos de nanocelulose
Os chips de computador biodegradáveis ​​e baseados em madeira podem funcionar tão bem como os chips usados ​​para comunicação sem fio, de acordo com novas pesquisas. Os pesquisadores da Universidade de Wisconsin argumentam que os novos chips poderiam ajudar a resolver o problema global de acumulação rápida de resíduos eletrônicos, alguns dos quais contém materiais potencialmente tóxicos. Os resultados também mostraram que o material transparente e derivado de madeira chamado nanocelulose é uma alternativa atraente para o plástico como uma superfície para eletrônicos flexíveis.

 

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