Ex-bolsista de Ciências Biológicas da UFPR ganha prêmio de sociedade científica internacional

De pesquisadora na graduação à uma cientista prestigiada internacionalmente. A trajetória de Jessica Gillung, ex-bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) na Universidade Federal do Paraná (UFPR), é marcada por aquilo que o seu primeiro orientador, Claudio José Barros de Carvalho, do Departamento de Zoologia, chama de “brilho nos olhos” pela pesquisa.

Jessica, formada em Ciências Biológicas na UFPR, onde deu seus primeiros passos como cientista, irá receber no próximo dia 21 de agosto, em Londres, o Prêmio Marsh, da Royal Entomological Society, concedido para jovens reconhecidos pelo impacto dos seus estudos em entomologia, a ciência que estuda os insetos. Hoje fazendo pós-doutorado na Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, ela assegura que sua trajetória teria sido diferente se não tivesse passado pela iniciação científica na universidade. “Foi uma experiência fundamental”, comenta.

Formada em Ciências Biológicas na UFPR, onde deu seus primeiros passos como cientista, Jessica Gillung receberá em agosto o Prêmio Marsh, da Royal Entomological Society, em Londres. Foto: Kathy Keatley Garvey/Reprodução

 

A pesquisadora optou pela trajetória científica ainda no início da faculdade de Biologia. Foi na disciplina de Biogeografia, que estuda a distribuição dos organismos na terra, que começou a se interessar pela carreira acadêmica. “Ela me procurou querendo fazer um estágio porque havia gostado da disciplina”, lembra Carvalho. A partir daí, tornou-se cientista no Laboratório de Biodiversidade e Biogeografia de Diptera.

O trabalho em conjunto, que começou nos corredores da UFPR, rendeu outras recordações, como das primeiras reuniões e da publicação sobre o grupo de moscas silvestres Acroceridae. Para Jéssica, as memórias profissionais misturam-se às afetivas. “Professor Claudio me recomendava artigos científicos para leitura, e após uma ou duas semanas nós dois nos reuníamos para discutir os artigos e para responder todas as minhas dúvidas e perguntas com relação ao conteúdo. Nunca ninguém tinha feito isso por mim, e eu me senti extremamente valorizada”, conta.

Para Carvalho, que ela considera “um exemplo a ser seguido”, acompanhar os passos de Jessica significa assegurar a importância da iniciação científica. “Eu converso muito com os alunos sobre o futuro, e ela sempre teve essa visão ampla, de ir atrás do conhecimento”, afirma. Foi dele a sugestão para que eles investigassem o grupo Acroceridae, até então desconhecido.

Na foto maior, exemplar do grupo de moscas que Jessica estuda, a Acroceridae; nas menores, com a turma de graduação (primeira da esq. para a dir. na primeira fila) e o professor Claudio de Carvalho (o terceiro da última fileira); e Jessica lidando com o puçá, um instrumento usado por entomologistas para capturar insetos. Fotos: Acervo Pessoal/Jessica Gillung e Claudio de Carvalho

 

As moscas silvestres Acroceridae são polinizadoras e inimigas naturais da aranha. “Eu passei dois anos pesquisando tudo o que era conhecido sobre o grupo, e professor Claudio e eu produzimos uma chave de identificação ilustrada para os gêneros do Brasil”, conta.

Jessica explica que a chave de identificação é um recurso muito importante para a comunidade, especialmente se for bem ilustrada e comparativa. Este trabalho permite que se reconheça e se identifique de plantas a animais, passo essencial para estudos de ecologia, genética, evolução e inventariamento de fauna.

A pesquisa rendeu um artigo — “Acroceridae (Diptera): a pictorial key and diagnosis of the Brazilian genera” –, publicado em 2009, até hoje um dos mais populares assinados por ela. “Mais ou menos uma vez por mês eu recebo um email com um pedido para envio do artigo, não só de pesquisadores e entomologistas do Brasil, mas também do Chile, Argentina, Bolívia, Peru e México, porque muitos dos gêneros que ocorrem no Brasil também ocorrem nestes países”,  diz. O trabalho foi fundamental para a consolidação da trajetória de Jéssica, já que o editor da revista que o publicou foi seu orientador no doutorado, nos Estados Unidos.

O trabalho minucioso realizado por Jessica tem impactos diretos na sociedade, como no inventariamento de fauna necessário para a construção de barragens e preservação. Ela descobriu pelo menos 25 espécies novas, coletadas em viagens e visita a museus, mas a determinação e o prazer pela ciência foram moldados pela experiência que começou na graduação. “Sem essa oportunidade, eu não sei o que eu teria feito profissionalmente, mas eu sei que teria sido menos feliz e realizada do que sou agora”.

Por Amanda Miranda (Sucom-UFPR)

Fonte: https://www.ufpr.br/portalufpr/noticias/ex-bolsista-da-ufpr-ganha-premio-de-sociedade-cientifica-internacional/

 

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