Da limpeza de poluição até a construção de casas, existe algo que os cogumelos não podem fazer?

Sonia Travaglini holding a mushroom brick

Existem mais de 5 milhões de espécies de fungos e cada um gosta de um tipo especifico de comida. Alguns gostam de serragem. Outros de plástico. Alguns podem até digerir metais pesados. Após o fungo comer sua refeição, aquilo que uma vez foi desperdício se torna um material novo, natural e compostável que pode ser deixado para decomposição ou ser usado em vários tipos de meios práticos, da limpeza de respingos de óleo até a confecção de bolsas de couro falso e construção de casas. Sonia Trabaglini, da UCB, nos fala um pouco sobre isso.

Leia a tradução da transcrição do podcast:

Para Sonia Trabaglini, os cogumelos são a sua vida.

 “Eu diria que os fungos tem sido os primos escondidos de todos os primos e irmãos mais populares no mundo biológico” Diz Travaglini. “Existe uma (…) de fungos pelo mundo.”

Ela é uma candidata a Ph.D. de engenharia mecânica na UCB. Sua pesquisa é sobre desenvolvimento e teste em materiais de cogumelos.

 “Então o que nós fazemos é pegar cogumelos que gostam de comer todos os tipos de coisas – então eles são recicladores naturais – e eles gostam de comer todos os tipos de resto industrial.

Existem mais de 5 milhões de espécies de fungos e cada um gosta de um tipo especifico de comida. Alguns gostam de serragem. Outros de plástico. Alguns podem até digerir metais pesados. Após o fungo comer sua refeição, aquilo que uma vez foi desperdício se torna um material novo, natural e compostável que pode ser deixado para decomposição ou ser usado em vários tipos de meios práticos.

O tipo de cogumelo com o qual Sonia trabalha de perto é o Ganoderma lucidum, também conhecido como cogumelo Reishi. Tem isso chamado de “cogumelo da imortalidade”. Quando não está provendo uma cura mágica para o envelhecimento, está comendo ferragem.

“Olhando aqui, você pode até ver um pouco de serragem ali. É isso?” Eu pergunto.

“Exatamente”. Ela diz. “Isso é porque nós é quem decidimos a exata quantidade de ferragem que ele come.”

É assim que funciona: Digamos que você está num lugar industrial onde tem um monte de serragem sobrando. Para se livrar dela, você pode jogar um pouco de esporo de Ganoderma lucidum na pilha de serragem.

“Primeiramente, você vê algumas pequenas gavinhas crescendo como raíz de árvore. “Disse Travaglini. “Depois de um tempo, todas essas raízes se misturam, se conectam e começam a produzir material celular.”

Se o fungo puder se desenvolver por várias semanas, ele irá converter toda a serragem para tecido de cogumelo, criando um material duro e pesado que pode resistir a força de um material parecido à madeira. Se eles forem parados antes de estarem completos, digamos após uma ou duas semanas, eles criam um material mais leve e ainda com bastante serragem misturada.

Depois de se tornar o tipo de material que os cultivadores estão buscando, eles devem ser desnaturados.

“Você tem que matar o cogumelo.” Diz Travaglini.

Para este feito, eles pegam a substancia do cogumelo e colocam-na em um forno para cozinha em até 70 graus centigrados ou 160 graus Fahrenheit.

Este novo material pode ser usado em formas diferentes – como pequenos tijolos. E pode ser usado para várias coisas, como isolamento de paredes, material de embalagem e móveis – inclusive como substituto de couro.

“Por fim, quando você cria produtos de animais, leva muita energia apenas para chegar lá” Ela diz “E é claro que não é muito justo com os animais. Então ao usar algo que realmente se livra do desperdício para você porque é o que ele ama fazer – todas essas questões éticas estão resolvidas. E você também estará gastando muito menos energia, o que significa que você não está causando tantos gases de efeito estufa e ainda está capturando gás carbônico nos materiais. Você está de fato parando o aquecimento global.”

Há duas empresas no país – Mycoworks em São Francisco e Ecovative em Nova Iorque – trabalhando para utilizar fungos para a criação de diversos objetos, de bolsas de couro falso até frigobares e embalagens. Pelos últimos anos, a UCB tem colaborado com a Mycoworks para testa a força e durabilidade de seus produtos.

Eu acho que posso adivinhar o que está se passando pela sua cabeça – será que todos esses produtos têm cheiro de cogumelo? A resposta é não, por diversas razões.

Primeiramente, os materiais não são de fato feitos de cogumelos. Eles são feitos de mycelium, que são como as raízes dos fungos – eles não cheiram como os cogumelos que você cria no quintal ou compra na loja. A parte feita de cogumelo é como o fruto pungente do fungo.

Em segundo lugar, o material é desnaturado e seco, o que o deixa quase que sem cheiro. Sonia diz que pode ter um leve tom amadeirado, mas definitivamente não “cogumelado”

As possibilidades de usos de fungos para atenuar os problemas ambientais estão além do alcance, Sonia afirma. Pense em uma gota de óleo, por exemplo.

 “Você pode pegar pilhas de serra que absorveram, por exemplo, gotas de óleo e deixa-las junto a um cogumelo que particularmente gosta de óleo cru e serra, e ele irá comer tudo, quebrar e conter todos as substancias perigosas e depois digeri-las. E então, quando terminar, você poderá utilizá-lo como fertilizante.”

E, ela continua, há fungos específicos que não apenas gostam de óleo bruto e serragem, mas também se adaptam em qualquer clima.

 “Há fungos para tudo” ela conta. “Há literalmente uma ou várias espécies que não estão apenas interessadas na matéria prima que você quer se livrar, mas que também irão aproveitar a temperatura em que você está.

Fungos podem também serem usados para limpar aterros sanitários ou para fazer sanitários mais seguros em países em desenvolvimento.

Sonia diz que os fungos até tem potencial para atenuar problemas de diferença social, como a falta de moradias, ao se alimentar materiais mais pesados como cartolina para criar um material mais durável que poderia ser usado para a construção de casas.

Para impedir a estrutura de quebrar com a humidade, ela conta que o material pode ser coberto em látex ou Shellac.

 “Por que não estamos usando cogumelos para tudo então?” Eu pergunto.

 “Bom, eles estão em crescimento.” Diz Travaglini. “As pessoas estão apenas começando a descobrir os fungos e por mais que eles estejam em todos lugares ao nosso redor – está até nas nossas entranhas, na nossa pele, está no solo ao nosso redor. É apenas mais uma daquelas maravilhas nas quais as pessoas não tropeçaram ainda.

 “Eu me pergunto se os cogumelos irão eventualmente dominar o mundo…” Questiono.

 “Eu acredito que alguém posso argumentar que eles já o fizeram.” Travaglini responde. “Eles estão tão incluídos em tudo que nós fazemos. Então eles realmente dominaram o mundo, mas até então como nossos amigos, não como inimigos.”

Um brinde então à nossa amizade com os fungos.

Fonte: Berkeley News

Texto original:

Following is a written version of the podcast episode:

For Sonia Travaglini, mushrooms are her life.

“I would say fungi have been the hidden cousin to all of the more popular cousins and brothers in the biological world,” says Travaglini. “There is a blinding array of mushrooms in the world.”

She’s a Ph.D. candidate in mechanical engineering at UC Berkeley. Her research is all about developing and testing novel mushroom materials.

“So what we do is we get mushrooms that like to eat all sorts of things — they’re nature’s recyclers — and they like to eat all sorts of industrial wastes.”

There are more than 5 million species of fungi, and each one likes a particular food. Some like sawdust. Others like plastic. Some can even digest heavy metals. After the fungi eat their meal, what was once just waste turns into a new, natural and compostable material that can just be left to decompose or used in all kinds of practical ways.  

The type of mushroom that Sonia works most closely with is the Ganoderma lucidum, also known as the Reishi mushroom. It’s been called “the mushroom of immortality.” When it’s not providing a magical cure for aging, it eats sawdust.

“Looking at this, you can actually see some sawdust in there. Is that right?” I ask.

“Exactly,” she says. “That’s because we decide exactly how much of the sawdust it eats.”

Here’s how it works: Say you’re at an industrial site where there’s a lot of sawdust waste. To get rid of it, you can sprinkle a couple spores from a Ganoderma lucidum into a pile of shavings.

“At first, you just see little tendrils growing out like the roots of a tree,” says Travaglini. “After a while, all these roots intermingle and link up and start to make the cellular material.”

If the fungi are allowed to gorge for several weeks, they’ll convert all the sawdust to mushroom flesh, creating a heavy, solid material that can withstand a lot of force, similar to wood. If they’re stopped before they’re full, say after just a week or two, they create a lighter material with a lot of sawdust still mixed in.

After it becomes the type of material that growers are looking for, they have to denature it.

“You have to kill the mushrooms,” says Travaglini.

To do this, they take the mushroom substance, put it in an oven and bake at 70 degrees centigrade or about 160 degrees Fahrenheit.

This new material can be made into different shapes — like small bricks. And it can be used for all sorts of things, like insulation in walls, packaging, building furniture — even as a leather substitute.

“Ultimately when you make products from animals it takes so much energy just to get there,” she says. “And of course it’s not very fair to the animals. So by using something that actually wants to get rid of waste for you because that’s what it loves to do — all of those sort of ethical questions are resolved. And you’re also putting in so much less energy, which means you’re not causing as much greenhouse gases and you’re sequestering carbon into those materials. You’re literally helping stopping the planet overheat.”

There are two companies in the country — MycoWorks in San Francisco and Ecovative in New York City — working to use fungi to create everything from faux leather handbags to wine coolers to packing supplies. For the past few years, UC Berkeley has been collaborating with Mycoworks to test the strength and durability of their products.

I think I can guess what’s on your minds — do all of these products smell like mushrooms? The answer is no, for a couple of reasons.

First, the materials aren’t actually made with mushrooms. They’re made from mycelium, which are like the roots of fungi — they don’t smell like the mushrooms you’d grow in your garden or buy at the store. The mushroom part is like the pungent fruit of the fungi.

And second, the material is denatured and dried, which leaves it nearly odorless. Sonia says it might smell a bit woodsy, but definitely not mushroomy.

The possibilities of using fungi to mitigate environmental problems are far-reaching, Sonia says. Take an oil spill, for instance.

“You can get bags of straw that have been soaking up, for example, crude oil spills, let them loose with a mushroom that particularly likes crude oil and straw, and then they will actually eat all of that up, break it down, contain any unsafe materials and then just digest it. And then, when you’ve finished, you can simply use them as fertilizer.”

And, she says, there are specific fungi that not only like to eat crude oil and straw, but that also thrive in any given climate.

“There’s a fungi for everything,” she says. “There is literally one or several species that are not only interested in the feedstock you want to get rid of, for example, crude oil, but that will also really enjoy the temperature you’re at.”

Fungi could also be used to clean up landfills or make toilets safer in developing countries.

Sonia says fungi even have potential to alleviate different social problems, like homelessness, by eating extra materials like cardboard to create a more durable material that could be used to build houses.

To stop the structure from breaking down from moisture, she says the material can be covered in latex or Shellac.

“Why aren’t we using mushrooms for everything right now?” I ask.

“Well, they’re just growing,” says Travaglini. “People are just becoming aware of fungi and although it’s all around us — it’s even in our guts, it’s on our skin, it’s in the soil around us. It’s just one of those kind of hidden wonders that people haven’t really tapped into yet.”

“I wonder is mushrooms will eventually just take over the world…” I ask.

“I think one might have an argument that they already have,” Travaglini answers. “They’re so included in everything we do. So they’re really already there, but so far they’re our friends, not our enemies.”

Here’s to staying on good terms with fungi.

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