UFPR tem primeiro writing center do Brasil

Quais os desafios que docentes e alunos enfrentam ao tentar publicar textos científicos, especialmente em revistas internacionais? Foi a partir desse questionamento que o Centro de Assessoria de Publicação Acadêmica (CAPA) da UFPR, o primeiro no país, começou a ser pensado.

Inspirado nos writings centers (centros de escrita), que começaram a surgir nos Estados Unidos, o CAPA já atendeu cerca de 350 pessoas desde que iniciou as atividades, em outubro de 2016. Os serviços oferecidos incluem revisão, tradução e tutoria. “É um projeto inovador que tem um objetivo muito simples: fazer com que os autores acadêmicos da nossa comunidade se sintam apoiados”, conta o professor Ron Martinez, idealizador e diretor do centro.

“É importante salientar que, apesar de ter as nossas origens no conceito de writing center, o CAPA é um pouco diferente.  Nos writing centers dos Estados Unidos, por exemplo, a ênfase é no atendimento a alunos de graduação. No CAPA temos esse foco também, mas além disso atendemos alunos da pós-graduação e até docentes da UFPR e de outras universidades, que geralmente vêm ao CAPA pedindo ajuda com artigos científicos. Não existe outro centro igual no mundo, somos únicos nesse sentido”, explica o professor Martinez.

De acordo com Martinez, o pioneirismo traz também desafios, entre os quais o de conscientizar as pessoas sobre a natureza do centro: “O nosso desafio é criar na universidade uma cultura  em torno da escrita que jamais existiu no Brasil”.

O professor conta que a redação de trabalhos acadêmicos – monografias, dissertações, teses ou artigos – ainda é uma tarefa assustadora para muitas pessoas. “É muito fácil se sentir um pouco perdido ao longo do processo. Os orientadores nem sempre têm muito tempo para orientar a escrita dos alunos, e, os docentes, por sua vez, frequentemente, não têm com quem contar para consultar e receber feedback sobre seus textos”, afirma.

Diante desse contexto, tanto alunos quanto professores acabam recorrendo aos serviços terceirizados de revisão e formatação de artigos, por exemplo – uma prática que em geral não contribui para a formação do pesquisador como autor. No CAPA os alunos e professores têm com quem conversar sobre o ato de escrever academicamente. Além disso, pessoas especializadas auxiliam no processo de elaboração de todo tipo de trabalho acadêmico escrito, em português, inglês e outros idiomas.

Resultados práticos

Revisão, tradução e tutoria. São essas três linhas de serviço oferecidas pelo CAPA. O centro ainda oferece auxílio com apresentações acadêmicas – inclusive a parte oral, especialmente em inglês – , e também organiza grupos de revisão por colegas, que são encontros regulares entre alunos ou professores que têm trabalhos em andamento e nos quais os participantes, numa roda de conversa, recebem o feedback de seus textos a partir da interação com outros membros da atividades.

Entre as cerca de 350 pessoas já atendidas pelo CAPA estão pelo menos 100 autores da UFPR que publicaram mais de 20 artigos científicos em revistas internacionais. E esse número pode ser ainda maior, uma vez que não há registros oficiais ainda sobre o retorno dos participantes.

“Nem sempre recebemos feedback das pessoas a quem prestamos auxílio.  Porém, quando temos um retorno, é sempre muito positivo”, conta Martinez.

Luiz Pinheiro Júnior, estudante de doutorado em Administração na Fundação Getúlio Vargas (FGV), ficou sabendo do CAPA e achou o projeto muito interessante. “Somos avaliados por artigos e poder sentar com as pessoas que entendem de produção e aprender com eles nos auxilia muito”, diz.

Luiz participou de dois eventos do centro e revela que dessa experiência nasceu um dos artigos que foi aprovado recentemente num dos maiores congressos nacionais da sua área, o EnAnpad – Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração.

Além de atrair estudantes de outros estados, o CAPA também chama a atenção além das fronteiras brasileiras, como é o caso de Daniel Magerman, coordenador do writing center na conceituada Pennsylvania State University, que está fazendo intercâmbio pela Comissão Fulbright dos Estados Unidos na UFPR após descobrir que a instituição possuía um centro similar àquele ao qual ele pertencia. Hoje Margerman é colaborador na formação continuada dos tutores do CAPA.

“Tem pessoas até no exterior que ficam sabendo do CAPA e querem participar.  Um exemplo é uma brasileira que  está na Suécia há 12 anos fazendo mestrado e doutorado na Universidade de Gotemburgo, e agora será tutora online do CAPA.  Há inúmeros exemplos de pessoas que apareceram porque queriam, de qualquer forma, poder contribuir” – explica Martinez.

Como fazer parte do CAPA

As atividades promovidas pelo CAPA são abertas a todas as universidades. Há diversas formas de fazer parte do CAPA.  Docentes e doutorandos, por exemplo, podem participar do Comitê Assessor Multidisciplinar, que são pessoas de diferentes área de conhecimento a quem o CAPA recorre nos casos de recebimento de críticas acerca de pontos específicos de uma área. Ou, ainda, podem ser tutores do centro.

Já alunos de graduação podem passar pelo treinamento de tutores, revisores, tradutores e se integrar ao CAPA por meio do Programa de Voluntariado Acadêmico.

Para saber mais, entre em contato com o CAPA no email capa@ufpr.br ou acesse a página no Facebook.

Por Dafne Salvador

Fonte: http://www.ufpr.br/portalufpr/blog/noticias/ufpr-tem-primeiro-writing-center-do-brasil/

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