Primeiro prédio em madeira do Brasil é construído na região de Curitiba

Empresa especializada em tecnologia wood frame aposta na pesquisa e projeto de edifícios de três pavimentos focados em habitações de interesse social

Finalização da montagem do prédio em wood frame da Tecverde em Araucária. Foto: Franklin Chao / Divulgação

Já bastante acostumada com ideais de planejamento urbano e sustentabilidade, a região de Curitiba tem mais um motivo para se orgulhar. Na última quarta-feira (24) foi realizado em Araucária-PR o evento de montagem em tempo real do primeiro prédio com três pavimentos com tecnologia wood frame do país, pela empresa curitibana Tecverde Engenharia. Envolvendo painéis de madeira e tecnologia sustentável de ponta, as construções com wood frameapresentam vantagens no processo construtivo, ao reduzir principalmente o custo da obra e o tempo para entrega do empreendimento.

Embora pareça novidade, a tecnologia está consolidada há mais de 100 anos em países como Canadá, Alemanha, Estados Unidos, Chile, e países escandinavos. Para o empreendimento, a Tecverde – que desde 2009 constrói casas com o sistema em parcerias com o programa do Governo Federal ‘Minha Casa, Minha vida’ – desenvolveu parceria com organizações nacionais e internacionais, como o Instituto Falcon Bauer e o ITP no Brasil, e o BCIT e FPI Innovation no Canadá.

Finalização da montagem do prédio em wood frame da Tecverde em Araucária. Foto: Franklin Chao / Divulgação

Finalização da montagem do prédio em wood frame da Tecverde em Araucária. Foto: Franklin Chao / Divulgação

 

O projeto

O projeto realizado na região metropolitana da capital paranaense envolve dois edifícios com 12 apartamentos, distribuídos em três pavimentos, com uma das torres finalizada em apenas 40 horas de montagem. O material predominante na construção é a madeira no formato de painéis, e apesar de muita desconfiança em relação à segurança estrutural do prédio, o resultado de anos de pesquisa e testes é um empreendimento seguro, sustentável e econômico – tanto em termos de material como de tempo de obra.

A empresa estima que a tecnologia de produção e montagem dos painéis permita uma construção de 45m² ser finalizada em apenas duas horas, com mão de obra de cinco pessoas. No caso de prédios, com uma equipe maior, será possível entregar a obra completa em poucas semanas. A Tecverde ainda destaca que a emissão de resíduos (uma das questões mais prejudiciais ao meio ambiente por parte da construção civil) é reduzida em 85% com o uso de tecnologias sustentáveis, e o uso de água na construção tem redução de 90%.

Transporte das placas no canteiro de obras. Foto: Divulgação.

Transporte das placas no canteiro de obras. Foto: Divulgação.

 

O lançamento aconteceu no local onde será a nova unidade do projeto ‘Minha Casa, Minha Vida’. Durante o evento, cada uma das estações montadas demonstrava um ponto de interesse em relação à segurança, risco de incêndio, resistência contra umidade, isolamento térmico e acústico. O diretor de tecnologia da empresa, José Márcio Fernandes, destaca o cuidado e o tratamento da matéria-prima como vantagem em relação aos métodos convencionais de alvenaria. “Oferecemos um produto de melhor qualidade que o sistema convencional porque é um produto feito por inteiro em ambiente industrial e com medidas muito precisas. Os desempenhos térmico e acústico são melhores que os vistos em construções de alvenaria” conta.

 

Linha de produção das placas de construção da tecnologia wood frame. Foto: Priscila Oliveira / Divulgação

Linha de produção das placas de construção da tecnologia wood frame. Foto: Priscila Oliveira / Divulgação

A estrutura, embora de madeira, conta com alicerces tradicionais de concreto, e paredes com camadas que envolvem materiais de isolamento acústico e placas de gesso resistentes ao fogo. Fernandes ainda explica que não há porque se preocupar com incêndio. “Pesquisamos um sistema de combate passivo, em que as paredes são tratadas para aguentar altas temperaturas por tempo suficiente para que o fogo acabe antes de correr risco de atingir a estrutura” comenta. O diretor destaca que as tubulações de gás passam pelo contra piso, que é feito de concreto – reduzindo a possibilidade de alimentar a combustão.

Caio Bonatto, CEO da empresa, vê na integração de tecnologia e das habitações de interesse social a possibilidade de saída para a crise imobiliária brasileira. “Eu vejo o prédio como uma evolução do que fazemos com as casas, porque seguimos com os mesmos princípios, que é trazer uma industrialização grande para o processo, mas permitir ao morador que tenha acesso e use a habitação da maneira mais comum possível”, completa.

 

Fonte: Gazeta do Povo

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