Degradação do solo agrava seca no ES e aumenta prejuízos no campo

A forma equivocada de plantio e manejo do solo adotada ao longo dos anos em boa parte do Espírito Santo tem transformado grandes áreas produtivas em solos inférteis.

Um estudo do Centro de Desenvolvimento do Agronegócio (Cedagro) aponta que o estado tem 393 mil hectares de solo degradado, o que equivale a 16,65% da área agrícola total. Ou seja, a cada seis hectares cultivados um deles está infértil.

A degradação do solo nas áreas agrícolas concentra-se em maior parte nas atividades de pastagens e de café, especialmente na região Noroeste, devido à fragilidade dos solos, elevada erosividade das chuvas e pouca cobertura vegetal. Do total da área degradada, 238 mil hectares correspondem a áreas cultivadas com pastagens e 118 mil hectares com café.

Segundo o órgão, a ocupação do solo para o desenvolvimento de atividades agrícolas ocorreu, historicamente, de forma predatória em relação aos recursos naturais, com desmatamento indiscriminado, sem o planejamento correto do uso das terras e sem a utilização de práticas de conservação adequadas.

Esses fatores têm trazido uma série de consequências econômicas, sociais e ambientais ao produtor rural, ao setor público e a toda sociedade capixaba.

Entre elas, a redução da capacidade produtiva do solo, assoreamento de cursos d’água, irregularidade no fluxo dos rios e córregos e períodos de seca e enchentes com maior frequência, além de poluição física da água, destruição de estradas e outros bens públicos.

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Nas lavouras de café, os principais problemas acontecem devido à erosão causada por práticas como excesso de capinas, plantios antigos com baixa densidade e pouco uso de práticas de conservação eficientes.

Nas áreas de pastagens, a degradação ocorre principalmente em função da compactação do solo provocada pela implantação incorreta da pastagem, pela ausência de correção do solo e do manejo inadequado no que diz respeito à alta taxa de lotação, com excessivo pastejo e pisoteio pelo gado.

Na avaliação de Mauro Rossoni Júnior, diretor técnico do Incaper, o momento de seca extrema atual deve ser pensado como oportunidade para construir uma nova proposta de conservação do solo no estado.

“Tem que haver um conhecimento mais aprofundado de como patrolar (nivelar) uma estrada rural e como construir caixas secas, por exemplo. Temos que trabalhar a conservação da água e dos solos rurais”, argumenta.

Para o diretor, essas técnicas mais eficazes não eram uma demanda do campo, mas agora passaram a ser, devido ao aumento – motivado pela seca – da preocupação com os recursos naturais.

“Antes se priorizava a extensão quantitativa, o volume de produção e de área. Hoje estamos passando para um trabalho qualitativo, que é a proposta de um produtor sustentável”.

Boas práticas de manejo do solo e da água incentivadas pelo Incaper

– Implantação de caixas secas em carreadores e estradas vicinais para coletar a água da chuva e promover a recarga dos lençóis freáticos;
– Adequação e manejo dos sistemas de irrigação com otimização da água aplicada aos cultivos, visando ao uso racional dos recursos hídricos;
– Construção de pequenas barragens para armazenamento de água na propriedade;
– Manejo de roçadas nas lavouras de forma a manter o solo coberto para redução do processo erosivo e melhoria da capacidade de retenção de água do solo;
– Manutenção e ampliação da cobertura florestal e recomendação de cultivo utilizando variedades tolerante à seca.

Benefícios trazidos pela recuperação e conservação dos solos

– Aumento da produtividade e da área disponível para uso agrícola;
– Redução no custo de manutenção das estradas;
– Maior período de disponibilidade de água nas épocas secas;
– Redução do assoreamento dos mananciais e cursos de água;
– Diminuição da intensidade e frequência de enchentes e secas;

Erosão

Um dos principais agentes de degradação do solo agrícola são as estradas mal construídas. Elas servem de foco inicial para a erosão que se espalha pela lavoura e termina com o assoreamento dos canais d’água e reservatórios.

Meta é ampliar cobertura florestal em 20%

O Espírito Santo sofreu, principalmente a partir da década de 1950, um processo acelerado de desmatamento, o que fez com que restassem hoje menos de 14% de suas florestas.

Para minimizar o impacto da devastação, o Incaper pretende atingir pelo menos 20% de cobertura florestal no estado, nos próximos anos – índice preconizado pela legislação federal.

“A degradação era forte porque a gente vinha de uma cultura de desmatar. A partir de um certo momento, começou-se a sentir na pele os efeitos disso. Hoje temos exemplos onde, mesmo diante da estiagem, quem preserva o solo tem água”, diz o diretor técnico do Incaper, Mauro Rossoni.

Munido dessas informações, o estado tem desenvolvido, por meio do Incaper, uma série de ações com o intuito de diminuir a área degradada.

Um delas é a capacitação técnica de extensionistas e técnicos, por meio de incentivo à produção agropecuária com foco na sustentabilidade e nas inovações tecnológicas.

Um curso de capacitação vai ser oferecido, a partir desta terça-feira (26), intitulado “Cafeicultura Sustentável: Manejo e conservação do solo e da água e alternativas para a convivência com a seca”.

Inicialmente vai atender os funcionários da entidade e demais profissionais da área pública que atuam com a agricultura.

Uma das técnicas ensinadas será a de manejo adequado das ervas nativas nas lavouras de café por meio da roçada, técnica que visa minimizar o processo de erosão e melhorar as características do solo.

Resultados de pesquisa do Incaper em áreas cultivadas com declividade média de 20% mostraram que a tecnologia reduziu as perdas de solo em até 70% e de água em até 55% nas lavouras.

 

Fonte: Portal do Agronegócio

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