A caixa de pizza que você iria jogar fora pode salvar uma árvore

Técnica simples e barata triplica chances de sobrevivência de mudas em áreas de reflorestamento

Pixabay/Creative Commons

Difíceis até de dobrar na hora de colocar na lixeira e ocupar menos espaço, as caixas de papelão às vezes ficam ali, esquecidas em algum canto da cozinha depois que a atração principal da mesa – a pizza – é devorada. Agora, porém, elas ganhar um fim muito mais nobre.

Uma pesquisa da Embrapa tem estudado como esse tipo de material ajuda a preservar mudas de árvores em fases críticas do desenvolvimento. Simples e barata, a solução pode auxiliar na reabilitação de áreas degradadas com um custo até 50% menor em comparação aos métodos tradicionais. Isto porque o papelão – incluindo as caixas de pizza – atua no controle do capim no coroamento (capina ao redor) de mudas em ações de reflorestamento, viabilizando a financeiramente a recuperação principalmente de pastagens para pequenos produtores.

O Brasil tem hoje cerca de 21 milhões de hectares de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e de Reserva Legal que precisam ser restauradas, a maioria ocupada por pastagem degradada.

Nos projetos de recomposição florestal, a maior parte dos custos está associada ao controle de plantas daninhas que colocam em risco o crescimento e a sobrevivência das mudas. Cerca de dois terços do investimento são destinados ao controle da chamada “matocompetição”. “Temos várias soluções para isso. O uso de herbicida é a mais comum na agricultura, mas é pouco utilizada no setor florestal com foco ambiental, principalmente porque são áreas próximas a recursos hídricos”, explica o pesquisador Alexander Resende.

No entanto, com um disco ou placa de papelão, novo ou usado, é possível, de acordo com a pesquisa, proteger a base das mudas de espécies florestais nos primeiros anos de plantio. O “escudo” faz com que as gramíneas, que exercem forte competição com as espécies de reflorestamento, não se desenvolvam. Com isso, o crescimento das mudas ocorre da mesma forma como se fosse feito o controle da forma tradicional com enxadas, foices e roçadeiras. Mas o método tradicional exige muita mão de obra, com rendimento operacional baixo, o que torna mais caros os projetos de reabilitação ambiental.

O pesquisador Guilherme Chaer conta que os experimentos no campo mostraram que, além de impedir o crescimento das gramíneas, o papelão aumenta a taxa de sobrevivência das mudas. “De onze espécies avaliadas, nove apresentaram índice de sobrevivência igual ou superior a 80% quando coroadas com papelão, enquanto apenas três atingiram esse índice quando coroadas com a enxada”, disse Chaer.

Além de aumentar a sobrevivência das mudas em campo, o papelão não afeta o crescimento das plantas em relação ao tratamento manual, podendo, ainda, diminuir em até 10°C a temperatura do solo superficial nos dias mais quentes e reduzir a perda de água por evaporação. “Isso faz uma diferença enorme para a planta, tanto para aliviar o estresse térmico como o estresse hídrico. Ao perder menos água, a planta se beneficia”, comenta.

A pesquisa avaliou o potencial do papelão de suprimir quatro espécies de gramíneas mais comuns em região de Mata Atlântica: brachiarão, capim-colonião, capim-rabo-de-burro e capim-quicuio. Em todas elas, o papelão atuou inibindo seu desenvolvimento.

Técnica permite o uso de caixas de pizza

Os primeiros experimentos de campo foram feitos com embalagens arredondadas utilizadas para pizza. O objetivo era avaliar a durabilidade em campo do papelão tratado com substâncias para retardar sua taxa de decomposição e, consequentemente, prolongar o efeito supressor das gramíneas. Os resultados mostraram que, em condições de campo, o papelão apresenta eficiência por mais de um ano se for impregnado com uma solução à base de sulfato de cobre.

Segundo Chaer, o sulfato de cobre reduz a incidência de fungos que decompõem a lignina do material, preservando-o por mais tempo. “A solução, derivada de soluções utilizadas para tratamento de madeira, é simples de preparar, apresenta baixo custo e baixa toxicidade, uma vez que não utiliza o dicromato de potássio comum nestes produtos”.

Sobre a economia, num coroamento comum feito com enxada, o produtor gasta em torno de R$ 5.800,00 por hectare no primeiro ano após o plantio, considerando quatro coroamentos ao longo do ano. Mas, ao optar pelo coroamento com papelão, o custo cai para R$ 2.800,00. Esses cálculos foram feitos com embalagens de papelão novas compradas no varejo. Mas, se quiser baixar ainda mais este custo, o agricultor pode optar por utilizar papelão reciclado.

 

Fonte: Gazeta do Povo.

 

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